Neuro 2009

Conjugação do mapeamento cerebral por electroestimulação directa e da neuronavegação com aquisição de imagens TC intra-operatórias na excisão de glioma da circunvolução frontal ascendente.

Autores Miguel Casimiro; Carla Reizinho

Apresentador Miguel Casimiro


Serviço Neurocirurgia
Especialidade Neurocirurgia
Hospital Hospital da Luz

E-mail miguelcasimiro@netcabo.pt


 Introdução:
Qualquer neurocirurgia tem o potencial de induzir sequelas neurológicas. Em oncologia este risco é mais elevado se a lesão se localizar em áreas cerebrais funcionalmente eloquentes. A utilização da TC intraoperatória veio permitir não só o controlo do grau de remoção cirúrgica, mas também melhorar a eficácia das técnicas de neuronavegação, guiando espacialmente o cirurgião durante o procedimento. Não permite, no entanto, distinguir as áreas cerebrais de acordo com a sua relevância funcional, nem identificar as estruturas cuja manipulação ou remoção poderão condicionar sequelas inaceitáveis para o doente. Esta distinção fundamental é obtida através do mapeamento funcional intra-operatório. Descreve-se caso clínico em que, pela primeira vez em Portugal, se conjugou a neuronavegação guiada por imagem de TC intra-operatória (NTC) e o mapeamento cerebral por electroestimulção directa (MCED).

Caso clínico:
Doente, de 41 anos, dextro, apresentou-se com crise convulsiva parcial motora inaugural e sem défices neurológicos ao exame objectivo. O estudo imagiológico, por RM, foi compatível com glioma de baixo grau, localizado em área potencialmente eloquente, no terço médio da circunvolução frontal ascendente esquerda. Por esta hipótese diagnóstica foi submetido a tratamento cirúrgico com recurso a NTC e MCED. De acordo com RM de controlo, a remoção tumoral foi total. Tratava-se histologicamente de astrocitoma fibrilhar. O doente encontra-se, ao fim de três meses, sem défices neurológicos sequelares incapacitantes e retomou as suas normais actividades profissionais.

Conclusão:
A localização sobre a área motora primária é tida classicamente como uma das contra-indicações para a remoção total dos tumores gliais. A disponibilização e o domínio das novas técnicas de imagem e mapeamento intra-operatório, permitem ao cirurgião a confiança necessária para estender a sua remoção para além dos limites funcionais clássicos. Tornam-se assim possíveis remoções tumorais totais em situações em que, de outra forma, nos limitaríamos a procedimentos meramente diagnósticos.